Talvez seja uma missão quase impossível planejada pela alma que habita aquele corpo de concreto e vergalhões. Talvez o Olímpico, em algum momento das tantas reuniões que presenciou onde o assunto era um novo estádio, tenha aceitado que sua hora estava chegando. Admitiu que sua estrutura está perigosa para os milhares que o adotaram como lar e que, pela idade, que não agüentaria uma mais uma cirurgia, como chegaram a propor naquelas mesmas reuniões. Decidiu então, num delírio ufanista, que seria derrubado invicto a contar daquele instante. Na sua massa encefálica de cimento, ainda goza de faculdades mentais para saber ninguém fica quatro anos invicto, mas não está nem aí. Segue sua jornada silenciosa.
Não é nada, não é nada e delírios a parte, domingo estaremos lá para presenciar o 50º passo da sua jornada. O velho casarão vai estar cheio como ele gosta. É o caso do departamento de marketing pensar em alguma ação, promoção ou homenagem para este momento. Até porque, é hora de começar a mimar o velho.
Claro, como tem o Esportivo como o visitante que aprontou um crime desses dois anos atrás e desta vez vem num desespero kamikase de ao mesmo tempo brigar por classificação e fugir do rebaixamento (coisas que só o Noveleto explica). Mas o porquê dessas milongas é que o time do Silas chega para este jogo, finalmente convencendo a maioria da torcida. Falo isso baseado nos depoimentos e palavras de quem esteve lá ontem, o que infelizmente não é o meu caso. Parece que as individualidades que estavam decidindo os jogos e fazendo resultados estão se engrenando entre si na tão esperada e prometida mecânica de jogo.
Depois de outros técnicos até parecerem querer estragar essa chegada aos 50 jogos de invencibilidade em casa, Silas chega com o melhor retrospecto e com o maior grau de confiança desde Mano Menezes. Concordo com quem diz que o Gauchão e essas primeiras fases da Copa do Brasil não são parâmetros. Mas nem mesmo essa Libertadores tem sido.
Ainda é começo de caminhada. Tanto para os planos do Silas para o time deste ano e mais ainda para a quase impossível conspiração silenciosa do velho casarão.
TEXTO DO "A LETRA DO BONATTO"
http://colunas.globoesporte.com/minwer/2010/03/26/o-pacto-silencioso-do-velho-casarao/